Historicamente, o curso do Córrego Suiazinho acompanha, em sua passagem por Ribeirão Cascalheira, o curso da cidade. O núcleo populacional formado em razão da expulsão camponesa de suas terras graças à expansão da fronteira agrícola no Brasil, fixou-se nas imediações do que seria, mais tarde, conhecido como Ribeirão Bonito e daria nome à cidade. Pode um rio ser local de memória, guardião de sentimentos, hábitos e costumes? Acredito que sim. E, se há uma maneira de ressaltar a importância da preservação ambiental para a sobrevivência da humanidade, talvez seja valorizando e relacionando a natureza à vida humana em todos os seus aspectos; demonstrando que o meio ambiente é o meio em que vivemos, e, sendo assim, estamos inseridos neste meio, e interagimos com ele de várias maneiras no curso de nossas vidas. O que busco é demonstrar que essa interação deve existir, mas deve ser positiva, e pode sê-lo se e quando a população identificá-lo como parte de si e componente cultural de sua história. Reflorestar e recuperar o Córrego Suiazinho é nossa forma de agradecer e recompensar o tão famoso Ribeirão Bonito, que já foi palco do assassinato do Padre João Bosco; que recebe os romeiros a cada cinco anos para lembrar aqueles que lutaram e morreram pela América Latina; foi palco do nascimento da cidade de Ribeirão Cascalheira e viu o “progresso” chegar, trazendo o asfalto e os aterros, que o deixaram escondido, sob uma insensível ponte de concreto, que parece não deixar transparecer a vida que o rio carrega em si. Serviu de instrumento de trabalho para lavadeiras e para pescadores; foi e é local de diversão grátis para grande parte da população; abrigou, recentemente, manifestações políticas, sendo palco para tantas e tão divergentes opiniões políticas. Mas, talvez mais importante, é e foi fonte de vida para sua população, e é guardião de nossas histórias, local de memória.
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